Quem são os coxinhas e os petralhas no Direito e por que isso é ridículo?

Tempo de eleição (municipal e de centro acadêmico) é sempre uma época interessante para notar comportamentos, apontar idiossincrasias nos outros e esquecer a autocrítica. Então, por favor, se essas carapuças costumam servir para você, pare de ler já.

Se não é o teu caso, siga em frente e vamos falar mal dos outros fingindo que não guardamos qualquer resquício de semelhança com eles em seus vícios. #denial 

Vale a ressalva de que estamos falando de tipos mais ou menos ideais, ou seja, a descrição perfeita e acabada de cada um deles só existe em abstrato, mas algumas características podem ser vistas na realidade. Vamos lá?

O petralha jurídico é o cara que vai lutar por mais direitos, mas somente direitos sociais e dificilmente aqueles relacionados às liberdades civis. Tudo que o petralha pleiteia exige uma prestação do Estado, que evidentemente não tem caixa para bancar a brincadeira. Isso eventualmente o levará à discussão sobre Direito, escassez e escolha. Não que ele reconheça que a escassez seja conceito-chave na economia, mas enfim, né?

Logo, o titular do “direito” precisa de bons advogados para garantir que o Estado arque com despesas monstruosas fora do orçamento. É óbvio que esses bons advogados custam caro, o que, no fim das contas, significa que alguém pagou a um terceiro para que o Estado providenciasse aquilo que ele já pagou com impostos.

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Revolução no olho dos outros é refresco

E assim segue nosso amigo petralha eternamente alimentando a falsa impressão de que o Estado sabe fazer escolhas para os cidadãos melhor do que eles mesmos. No Direito, então, – minha nossa senhora! – estabelecer direitos para si e deveres para os outros é lindo. #sqn

Quanto às empresas, por pensar que elas só existem para sugar mais-valia do trabalhador, o #combativo operador do Direito vai reunir todos os esforços para impor milhares de requisitos a cumprir antes mesmo de o empresário começar a desenvolver suas atividades. Tudo isso sob o argumento de que eles garantem proteções à sociedade, ao meio-ambiente e aos trabalhadores. Praticamente um Capitão Planeta.

O que ele não entende é que essa lista de requisitos (a.k.a. burocracia) tende ao infinito e, mais dia, menos dia, acabará impedindo que mais pessoas tenham empregos, já que a empresa que traria essas vagas não conseguiu crescer o suficiente porque estava presa na amarra de formulários e obrigações acessórias. E o Poder Público não vai reclamar nem um pouco disso tudo, não é mesmo?

Em suma, o petralha é um cara imediatista.

Já o coxinha do Direito faz questão de ir de terno para a Faculdade, mesmo que hoje em dia as idas a repartições públicas durante o estágio tenham ficado mais raras graças ao processo eletrônico. Ok. Mea culpa fortíssimo aqui. Eu vestia porque era exigido no estágio e, como quem pode manda e quem não pode obedece, eu simplesmente seguia o fluxo.

Nada contra usar terno. Ninguém morreu por isso, lógico. Além do que também acho elegante, só não quando é preciso andar na rua a 30 graus, encontrar com cliente para audiência no Fórum sem ar condicionado e visitar a Receita Federal (!!!). Ou seja, na maioria das situações exigidas no nosso cotidiano. Not pretty.

Mas ok. Ainda sobre o terno. Ele representa um isolamento absurdo do Direito em relação a outros setores da sociedade, como as empresas em geral e, especialmente, essas startups moderninhas que aboliram roupa social (amém!), por razões que a própria The Economist já falou há alguns anos. Atenção, galera do Direito (eu incluído): não é legal buscar diferenciação por algo com que ninguém se importa.

sapatenis
Coxinha que é coxinha não nega um sapatênis

 

Além disso, o coxinha inveterado do Direito ainda enche a boca para falar sobre a inutilidade das propedêuticas, para nossa decepção. O que ele não saca é a importância que essas matérias vão ter quando ele precisar pensar fora da caixa no mercado de trabalho.

Em se tratando de negócios, o coxinha vai bater na mesma demandando que servidores públicos trabalhem de forma mais eficiente e agilizem suas burocracias, sem parar para pensar no porquê de essas burocracias existirem e que, às vezes, elas ajudam a evitar algumas condutas meio chatas, também conhecidas como crime de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Aqui vale o comentário de que sim, seria muito legal se funcionários de repartições públicas recebessem uma injeção de ânimo e aumentassem sua produtividade. Porém, #ficadica aqui para observarmos o todo em cada problema jurídico e não só a ponta que nos toca.

Nossa. Péssima frase. Sai daqui. Desculpa.

O petralhinha já me olha feio porque estou no limite da ofensividade. Well, too bad.

Do que eu falava mesmo? Ah é! Do coxínea.

Atuando no contencioso, o advogado coxinha vai se esmerar nos estudos da desconsideração da personalidade jurídica para garantir que seu cliente receba algum trocado depois de anos brigando na Justiça, aprofundando as noções que o Novo CPC trouxe sobre incidente de desconsideração. Qual o problema disso? Nenhum. Mas já pensou em pedir garantias mais efetivas e fortes da outra parte? Ou mudar de ramo, sei lá. #sorrynotsorry

Ah, claro, sem esquecer que o coxinha do Direito utiliza o termo especialmente coxa para descrever o fenômeno da desconsideração: ~disregard theory~. Aliás, ele adora expressões altamente bregas para substituir nomen iuris, como chamar habeas corpus de remédio heroico. Sério mesmo? Remédio heroico é apelido para Viagra, poxa! É brincadeira…

E antes que você venha de chororô, nomen iuris é nomen iuris habeas corpus é habeas corpus. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Eu poderia ter usado o termo “instituto” no parágrafo anterior? Claro que sim, mas, se o fizesse, a piada (que piada?!) não faria tanto sentido.

Em suma, veja só: o coxinha também é um cara imediatista.

É, amiguinho ~jurista~, se você não se enxergou em nenhum desses poucos comportamentos descritos acima, conseguiu passar incólume pelo teste mais inútil que você poderia ter feito hoje. Além disso, é bom marcar uma consulta no oftalmologista ou comprar um espelho, porque você está ficando cego 🙂

Fonte da imagem destacada: http://www.brasil247.com/images/cms-image-000376908.jpg
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