Just do it

Por esses dias, pipocou na internet a discussão provocada pela Ruth Manus, em sua coluna do Estadão, sobre a quantidade de pessoas supostamente bem sucedidas que largam tudo e passam a seguir um estilo de vida muito mais leve, fazendo o que lhes completa.

Nas palavras dela:

Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional tudo bem, se quiser trabalhar num café tudo bem, se quiser ser professor de matemática tudo bem, se quiser ser um eterno estudante tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas tudo bem?

Gerou-se então aquele rebuliço todo na geração hashtag até que, dias depois, veio a resposta que bombou nas redes sociais, de autoria da Yasmin Gomes, puxando todos nós de volta à realidade de que ~não é bem assim~:

A realidade do Brasil não é de quem pede as contas e vai viajar o mundo. Não é de quem ‘joga tudo pro alto’ e vai vender brigadeiro. A gente vive num lugar em que a maioria das pessoas se permite ser explorada porque precisa ganhar nem que seja uma mixaria no fim do mês. O desespero é tanto que, se a gente não aceita condições deploráveis, alguém vai aceitar. Alguém bom e qualificado, aliás.

Olha, não existe trabalho perfeito. Essa eterna noção de que é preciso vender sua mão de obra em troca de um ordenado só vai fazer sentido se você, qualificado que é, se deixar levar por ela. É clichê a noção de que se você não trabalhar pelos seus sonhos, alguém vai te contratar para trabalhar para os dele(a), mas não deixa de ser verdade.

Vêm muito a calhar nesta hora as palavras do Vladimir Passos de Freitas na sua coluna de hoje do ConJur (baixou o ~jurista~ em mim, sorry), que trata das dificuldades nas carreiras jurídicas e da resiliência que o profissional precisa ter. Ele nos lembra que, se não tiver “casca”, não tem sucesso.

Todavia, adeptos do coitadismo preferem recuar no primeiro obstáculo. Por vezes, com olhos tristes, declaram-se decepcionados com o mundo do Direito, dando a entender que suas virtudes impedem-nos de ter sucesso em uma sociedade corrompida. Em outras palavras, “pessoas boas e honestas como eu não têm chance no mercado de trabalho”.

Se você não se convencer disso, mude um pouco o foco e dê uma olhada nesse TED Talk com o título bem óbvio: “If you do something, something will happen”.

– Ah, mas o que eu vou fazer? Como eu começo isso? Como eu faço algo? Como eu fujo do roteiro de uma vida ordinária?

Jovem, você já ouviu falar num negócio chamado “internet”? É uma ferramenta que tem tudo que você imagina e mais. Aquela frase do Shakespeare sobre existirem mais coisas entre o céu e a terra do que imagina nossa vã filosofia hoje vale mais para a web do que o mundo em si.

Existe todo tipo de site que pode te ajudar com dicas e orientação de carreira, além do coaching que podemos encontrar por aí. A página que mais me inspira até hoje é The Muse, que contém uma série de dicas diárias sobre produtividade, objetivos, projetos e outros pontos interessantes e que ajudam a ter foco (mais genérico impossível, mas vai por mim).

Não foram poucas as vezes em que, durante a Faculdade de Direito, pensei em mudar de curso. Sempre me senti um peixe fora d’água no meio jurídico e minha motivação vinha muito mais da política acadêmica (sdds, #ocupeocahs) do que das matérias que estudava. Isso sem dúvida (e ainda bem!) se refletiu nas amizades que fiz e que nutro até hoje e contribuiu para que eu pudesse enxergar mais nitidamente o que queria para mim.

Mesmo assim, meus professores e chefes de estágio me diziam que todas as categorias estudadas em sala de aula só fariam sentido alguns anos depois de formado e de ter pulado de cabeça na carreira. Essa foi uma promessa em que custei a acreditar, mas ela vem se cumprindo dia após dia.

O curso é chato? Sim. Boring as hell, por um bilhão de motivos que já mencionei por aqui. Só que um programa de graduação dificilmente vai conseguir agradar a todos o tempo inteiro. Se não buscar a área de interesse e tentar alinhar expectativas, talentos e muita proatividade, não tem por onde. Nosso diploma não representa uma garantia de nada se só for visto como um “vale-emprego” e não como uma ferramenta ao nosso dispor.

Vomitar teorias só faz algum sentido se tiver resultado prático (mas, pfv, não monte a bomba atômica)

Falo isso principalmente porque nunca tive a pretensão de ser o operador do Direito padrão, tentando concurso público ou brincando de stand-up comedy em sustentação oral em tribunal. Respeito muito quem segue esses rumos, mas fazer o que se meu sonho é diferente? Só ser bacharel não me asseguraria nada em termos de emprego e muitos menos em se tratando dos projetos que desenvolvo na profissão.

Ok, também não dá para esquecer que carreira nenhuma vale uma vida infeliz. Se você não fica arrepiado, se teu coração não bate mais forte, apenas pare. Por acaso, eu lá tenho picos de adrenalina revisando alguma alteração de contrato social? Evidentemente que não.

Mas estar envolvido em projetos de reestruturação de grandes grupos societários e contribuir efetivamente para eles é de arrepiar. Enxergar aquilo que faço na perspectiva macro é lindo. Isso é o que me faz querer manter minha rotina de trabalho e investir nas minhas capacidades.

Se um dia não me bastar mais, aí sim me mando para algum lugar distante com os cachorros para meditar e levar uma vida #goodvibes. Sem essa jacuzice de #gratidão, mas antes de tudo, de xingar a profissão por não crescer ou de ter algo a ser largado em primeiro lugar, tem que procurar fazer o caldo de experiência, conhecimento e iniciativa valer a pena.

É isso. Vamos pra cima deixar nossa marca!

Boa semana a todos!

Fonte da imagem destacada: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/13/720th_Special_Tactics_Group_airmen_jump_20071003.jpg
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1 comentário Adicione o seu

  1. Fer Beirao disse:

    Adorei esse post, Paulo!!! Infelizmente ainda não deu pra viver de mergulho na Asia mas concordo que fazer isso seria abandonar as ferramentas que conquistamos justamente para causar mudanças! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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