Vou te processei

Hoje é sexta-feira, dia de maldade. Resenha rolando solta no escritório na hora do café e vem aquela história curiosa do amigo do amigo do primo do colega que se meteu em uma enrascada e levou o abacaxi para um advogado resolver.

Não é novidade para ninguém que o profissional do Direito sempre se depara com aquela situação em que algum conhecido passou por uma situação incômoda e “resolveu processar”.

Atrasou voo? Processa. Foi inscrito indevidamente no SERASA? Processa. Estourou a bisnaga de catchup do restaurante na sua mão? Processa. Ah, não! Aí virou bagunça!

Creio que isso seja ainda mais verdade com os advogados que lidam com responsabilidade civil, mas isso invariavelmente acaba acontecendo na nossa vida. E como lidar, já que sempre fica a dificuldade em conversar com o cliente sobre assuntos em que ele tem tanta certeza da razão?

Com essa dúvida e por indicação de colegas, passei a ler blogs de alguns advogados de fora e cheguei a uma leitura muito interessante de uma advogada americana sobre essa ânsia de algumas pessoas em tentar resolver seus problemas pela via do Direito.

Antes de recomendá-la aos amigos, porém, alerto que é provavelmente o texto mais curto e grosso sobre a relação entre o Direito e os sentimentos do cliente. Sim, sobre sentimentos. E sobre como o ordenamento jurídico não está nem aí para eles, mas sim para os seus direitos, e somente se você puder prová-los.

De qualquer forma, deixo aqui uma palhinha das palavras dela:

In general, the law is a bad course of action to resolve a non-criminal problem. It should be the option last resort because the process could easily take months or years during which you will spend thousands of dollars in legal fees. Even if you win – and there’s no guarantee – you may never collect. It’s a long process, filled with stress and heartache – no matter which side you’re on. If you think you have a legal problem should you consult a lawyer? Yes. But don’t be surprised if lawyer tells you that there isn’t a legal solution to your problem.

f7f

 Ouch!

É pesado? É, mas não estou falando que o advogado não precisa se entender com o cliente. Veja, é evidente que o foco principal do advogado precisa ser seu cliente (até já comentei isso por aqui) e que devemos avaliar bem aquilo que ele valoriza.

Porém, contudo, entretanto, todavia, às vezes ele simplesmente não tem direito a nada. E nossa prática advocatícia não pode fazer muito para mudar isso. Logicamente, ninguém gosta de ouvir que aquilo que se pretende alcançar por um contrato ou um processo judicial, só que as soluções que o Direito nos oferece infelizmente não acertam tudo.

Não é mesmo, Saul?

Pode ser um choque, uma patada, mas é a vida. But, hey!, don’t shoot the messenger. Às vezes, simplesmente não tem como.

Bom final de semana (:

PS: a sugestão do tema veio da Gabriella.

Fonte da imagem destacada: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8f/Sigmund_freud_um_1905.jpg
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