Otoridade

Olá, amiguinhos! 

Já que ainda tenho seis horas de viagem até Richmond, na Virginia, vou ocupar o meu e o seu tempo com um assunto que surgiu na minha cabeça enquanto estava preso no trânsito de Midtown Manhattan.#firstworldproblems

Ao contrário do que sugere a foto do post, não pretendo falar sobre violência policial. Na verdade, é sobre um tipo de violência menos óbvio. E talvez não seja nem violência, mas um mini poder.

Como isto aqui é um blog e não um trabalho acadêmico, não vou entrar na pilha de usar premissas sobre o que é poder ou violência, poder simbólico, poder inteligente, microfísica do poder e Bourdieu, Nye e Foucault que se virem com isso.

É meio óbvio que gentileza gera gentileza e tratar o outro com respeito sempre resulta em entendimentos mais fáceis, mas lidar, por exemplo, com um atendente de balcão em órgão público é quase um ato de coragem. Sem exageros. 

É, muito por conta disso, que o estagiário de 4º ano passava pelo balcão para conseguir aquilo que precisavano cartório, enquanto que aquele de primeira viagem precisava se virar nos trinta até conseguir acesso aos autos.

Exista toda uma engenharia social da qual fazemos pouco caso, mas que importa muito para o resultado de qualquer diligência. Nessa dinâmica, acredite se quiser, passar do pessoal da triagem no atendimento é tarefa mais complicada do que tratar com o auditor ou vogal efetivamente responsável pelo problema.

Sem um soft touch apurado, é impossível ter acesso às pessoas com quem realmente precisamos falar, tamanho o mini poder do atendente para cortar suas asinhas.

Isso gera situações engraçadas. Aliás, engraçadas não, mas inusitadas, porque para mim, na hora, nunca há nada de engraçado. Como quando precisei falar com um vogal da Junta Comercial sobre um assunto urgente, numa sexta-feira. 

Como diria Shakespeare: receita para dar bosta. Mas lá fui eu, esperei até 17h e nada (esse era o horário de funcionamento), uma vez que o querido vogal não se encontrava no gabinete. OK, fazer o quê? 

Esperar mais um pouco, ora. Afinal, quem trabalha nunca tem mais o que fazer, não é mesmo? Eis que às 18h, ou seja, uma hora após o órgão ter encerrado seu expediente, chega o digníssimo vogal. Que me atendeu. Na catraca. Sem anotar nada. 

Haja deboísmo para abstrair do descaso alheio.

Advogado deboísta, isso existe? Um coisa é ser equilibrado, outra é perder a cabeça e, com ela, a razão.

Caramba, como escrever do celular é horrível. 

Volta. Isso é correto? Não é. Isso é ilegal? Não é. É prerrogativa da parte num processo, ou de um administrado lidando com algum órgão da administração (mesmo que na JUCEPAR eles te chamem de ~usuário~).

Sim, usuário. Só falta jogar a fumaça para o alto, porque a alcunha você já tem. #legalize

Você já parou para refletir sobre a figura do ~despachante~, sobre o porquê de ele existir? DETRAN, Juntas Comerciais, Receita Federal, Passaporte, Visto. São todos órgãos que impõem procedimentos que, se seguidos à risca, vão acabar tratando a pessoa atendida como gado.

De alguma forma ou de outra, você acaba se deparando com problemas bobos que surgem no vácuo entre a teoria e a prática, como o sistema que não funciona e aí o servidor te enche de outras alternativas que não funcionam.

E é claro que seria muito legal para o estereótipo se isso ficasse restrito ao Poder Público, mas acontece das formas mais variadas formas, veladas ou não, na nossa vida privada.

Esses dias estava na fila da #baladinha e o segurança, querendo otimizar a função dele, forçava as pessoas a ficarem praticamente grudadas umas nas outras para que entrassem outras, praticamente ignorando o conceito de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.

Praticamente um proto-Eichmann, que poderia agir de uma maneira mais cortês, mas por que, já que ele se contentava em ordenar as pessoas a ficarem se acotovelando? Bem, ele fazia aquilo simplesmente porque podia.

Vamos deixar de ir àquele lugar? Provavelmente não,  porque os incentivos (hehehe) superam os problemas, só não sei até quando.

Mas falemos também de vocês que vão dar uma saidinha neste final de semana, celebrar a vida ou a vitória do seu time: tomem cuidado com esse tipo de coisa, tá?

Pausa. Toca Ramones na rádio aqui! Pa pa pa pa pa pa pa pa pa, I wanna be sedated.

Não sou fresco nem nada para reclamar tanto, mas todas essas são presepadas cometidas por pessoas que são investidas de um mini poder, que é o de incomodar, de crias barreiras invisíveis, ou, enfim, de incomodar, simplesmente porque podem.

Olha o avião pousando em Newark

Pronto. Agora são só mais cinco horas e alguma coisa até chegar. #virginiaisforlovers

PS: sem links hoje por motivos de: internet de ônibus. O que mais vocês esperavam?

Fonte da imagem destacada: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/63/WTO_protests_in_Seattle_November_30_1999.jpg
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